domingo, 21 de junho de 2009

Saber que não se sabe

Posted in by blog4sc | Edit
Bom, esses finais de semana dedicados ao tcc me rendem muitas leituras de artigos, cartilhas, blogs e livros, que geralmente acabam com muitos post its, nem todos destinados à monografia. Desses "nem todos", vários sinalizam "4SC".
A medida que eu achar interessante, vou dividindo com vocês.
Esse primeiro foi um dos mais condizentes com os "princípios" da nossa "seita". Não encontrei ele no site da autora, portanto vou colocá-lo na íntegra, porque realmente vale a pena.
É do livro "O design do designer" da Lígia Fascioni.

Lá vai...


Saber que não se sabe

Uma vez um amigo se surpreendeu com o fato das minhas aulas estarem disponíveis no meu site, com transparências, bibliografia e tudo mais, para quem quisesse. Um professor também me perguntou se eu iria colocar o texto completo da minha tese na Internet (alertou-me de que alguém poderia copiá-lo). Resposta para as duas questões: o mundo inteiro está na Internet, não há informação que se possa se gabar de estar em segurança. E isso não faz mesmo nenhum sentido. Para que esconder e guardar informações? Principalmente, se o objetivo é divulgá-las, compartilhá-las com o máximo de pessoas possível...

Houve um tempo em que as pessoas acreditavam que seu talento e valor residiam no que só elas sabiam, naquilo que guardavam trancado a chave na gaveta do escritório. Tinham a ilusão de que a seção, o departamento, a empresa, o mundo, tudo pararia se ela se recusasse a abrir a gaveta. A garantia do seu emprego estava lá dentro, guardadinha.

Ainda bem que o mundo mudou (se bem que algumas poucas pessoas ainda não perceberam). Hoje as empresas não contratam mais quem não sabe trabalhar em equipe e tem o nefasto hábito de trancar gavetas. Na época pré-Internet, talvez esse pudesse ser uma estratégia válida de sobreviência, inclusive muito popular.

Hoje não há mais gavetas trancadas em nenhum lugar do mundo. Pelo menos não para sempre. E as pessoas têm que pensar em outra maneira de se fazerem importantes no seu ambiente de trabalho em particular e na vida de uma maneira geral. Segredos não estão mais seguros e podem ser devassados a qualquer momento. Então, o que fazer?

Primeiro: reconhecer que a gente não sabe quase nada do que há para saber. Mesmo que eu publique aqui tudo o que sei, ainda é muito pouco para me fazer de importante e garantir minha sobrevivência profissional em algum lugar. Tudo o que está aqui também está ao mesmo tempo em muitos outros lugares, talvez com uma roupinha diferente. Sabe por quê? Porque são só informações e a gente vive mergulhado nelas, praticamente afogados. Conhecimento não é mais diferencial de nada, está ao alcance de qualquer um que tenha oportunidade e persistência para achar o que quer.

Segundo: reconhecer que sozinho não se vai a lugar algum. Se a gente sabe é quase nada, então como fazer alguma coisa com isso? Ora, o óbvio. Juntar com o pouquinho que mais alguém sabe e voilá: pode ser que se crie algo realmente útil e até importante. Já que é impossível para um só dar conta de saber tudo o que é preciso para andar pra frente, só nos resta montar o quebra-cabeças. Assim, quanto mais gente inteligente e disposta a compartilhar informações nós conhecermos, maior é a probabilidade de realizar um trabalho legal que faça a diferença.

Terceiro: o importante não é tanto o saber fazer, mas saber o que fazer. Ou seja, não adianta falar línguas, ter diplomas, teses, cursos e outros enfeites curriculares, se você não souber o que fazer com tudo isso. Vejo gente que estudou um montão reclamando que não há emprego, que ganha mal, e que fulano de tal que tem apenas o segundo grau incompleto está ganhando rios de dinheiro. Ora, a inteligência e a competência independem de quanto cada um estudou. Tem mais a ver com a sua visão do mundo, com a capacidade de criar novas soluções para velhos problemas, identificar oportunidades, gostar de desafios, ir à luta. Se a pessoa não sabe o que quer fazer com tudo o que aprendeu, isso acaba virando um fardo, um peso para carregar. Assim, quanto mais se estuda e aprende, mais elementos se tem para criar e mudar, o que, sem dúvida, é uma vantagem - mas vale lembrar que pode ser mais útil um simples canivete para quem sabe usá-lo do que mísseis supersônicos para quem não tem idéia do seu alvo. E que o mundo não tem limites para quem tem o alvo e os mísseis.

Tem outros artigos e textos dela nesse site aqui.
Esperam que tenham gostado e que realmente tenham identificado o texto com aquilo que os guris têm nos passado e mostrado, esclarecendo que estamos todos juntos montando esse quebra-cabeças em busca de um mesmo ideal, de um mesmo resultado.

Beijos
Carla

4 Comments


  1. Letícia

    É por isso que eu sou fã de vocês!
    Muito bom o artigo.

    22 de junho de 2009 às 10:18

  2. Henry says:

    Exatamente Loirão!!
    Essa é uma das maiores verdades: nada é nosso, tudo está aberto e para todos! O dado que recebemos não tem valor nenhum se não transformarmos ele em informação... útil.
    Uma das melhores frases que lembro: O enriquecimento (de informações nesse caso) pessoal só tem sentido se gerar um bem/enriquecimento coletivo.

    Excelente!! Vamos compartilhando para construir!

    23 de junho de 2009 às 14:00

  3. says:

    Carla, adorei. Obrigada por ter compartilhado esse texto conosco.
    Bju

    23 de junho de 2009 às 14:54

  4. Danico

    Li ele meio atrasado .... mas que baita artigo.
    Bj

    23 de junho de 2009 às 18:36